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A nossa sociedade está atualmente imersa na implementação de um novo modelo energético graças ao forte compromisso que a União Europeia e os seus estados membros adquiriram, especialmente com o objetivo de reduzir progressivamente as emissões de gases com efeito de estufa e assim avançar para uma economia neutra do ponto de vista climático. O Quadro de Referência de 2030 sobre Clima e Energia serve de guião para alcançar os objetivos propostos a curto e médio prazo, que incluem:
 
  • Pelo menos 40% de redução das emissões de gases com efeito de estufa em comparação com o valor de 1990;
  • Pelo menos uma quota de 32% de energias renováveis;
  • Pelo menos 32,5% de melhoria na eficiência energética.

Cada Estado membro pode receber fundos europeus para este fim e é obrigado a desenvolver um plano nacional com a estratégia a seguir para alcançar os objetivos estabelecidos. Por exemplo, Portugal tem o Plano Nacional Energia e Clima 2021-2030 também conhecido como PNEC. Todos estes planos nacionais serão controlados periodicamente pela União Europeia para determinar o seu grau de conformidade e identificar possíveis ações para corrigir quaisquer desvios. Para além de 2030 haverá continuidade através do desenvolvimento de uma Estratégia de Longo Prazo de Baixas Emissões para 2050, que já apresenta uma primeira versão.

E qual é a importância da tecnologia e da inovação para alcançar os objetivos visados? A resposta é bastante fácil porque podemos assegurar categoricamente que são dois pilares essenciais para alcançar alguns dos objetivos propostos, entre eles:
 
  • Mudança do consumo atual de energia para outros com emissões mais baixas.
  • Descarbonização, promovendo a penetração das energias renováveis na rede elétrica, principalmente a energia solar e eólica.
  • A implementação de medidas de eficiência energética para evitar o desperdício de energia com consumos desnecessários.
  • Reduzir a dependência energética em relação a países estrangeiros, especialmente a importação de combustíveis fósseis, a fim de alcançar uma maior autossuficiência energética.

A integração da tecnologia e inovação no novo modelo energético já é uma realidade, e como resultado, novos desafios e oportunidades que irão melhorar a qualidade de vida das pessoas estão a surgir cada vez mais. Uma das principais alavancas para a descarbonização é a eletrificação, e falar dela é falar de energias renováveis e eficiência energética ao mesmo tempo.

O setor elétrico é o setor que mais reduziu as suas emissões até à data graças à sua capacidade de integrar as energias renováveis, com o objetivo de produção de eletricidade sem emissões até 2050. Em termos de eficiência energética, o enfoque tem sido colocado em vários pilares com o objectivo de 60% da procura final de energia ser elétrica até 2030:
 
  • Reabilitação energética de edifícios graças à renovação de instalações térmicas de aquecimento e de AQS. Há mesmo um compromisso anual de renovação de 3% em edifícios públicos;
  • Transição do setor automóvel para motores elétricos que reduzirão as emissões, adotarão energias alternativas e, por conseguinte, melhorarão a eficiência;
  • Mudança do meio de transporte de mercadorias para caminho-de-ferro elétrico.

Entre outras coisas, a eletrificação irá melhorar os problemas associados à qualidade do ar nas cidades, que são principalmente causados pelo aquecimento e pelo tráfego rodoviário. Isto também resultará numa redução do custo da eletricidade, o que se deverá traduzir em tarifas mais baixas para os consumidores.

E o papel das novas tecnologias é vital para assegurar a implementação bem sucedida das iniciativas de eletrificação. Por exemplo, através do desenvolvimento de software de simulação ou protótipos virtuais, será possível saber de forma segura, rápida e económica como um determinado produto irá funcionar sem ter de começar a fabricá-lo, reduzindo assim os dispendiosos processos de montagem e teste, enquanto diferentes cenários podem ser simulados para alcançar um processo de eletrificação eficiente e ótimo em qualquer negócio.

Será também cada vez mais comum implementar projetos SmartCities que combinarão a eletrificação e a utilização de novas tecnologias a fim de digitalizar as cidades e assim otimizar os seus recursos e processos. Algumas destas tecnologias e os benefícios que elas podem trazer são os seguintes:
  • Implementação de 5G, o que significa um aumento da velocidade de ligação e uma redução da latência a um mínimo. Esta nova tecnologia móvel permitir-nos-á conectarmo-nos com uma multiplicidade de dispositivos em tempo real transmitindo informação em massa, abrindo um novo cenário onde graças à IOT podemos otimizar e monitorizar uma multiplicidade de processos. Por exemplo, será comum no futuro circular num automóvel elétrico sem condutor graças aos seus sensores que obterão informações do exterior e de outros automóveis?
  • Implementação de redes de sensores inteligentes (contacto, movimento, ótico, térmico, magnético, infravermelho, etc.) que irão melhorar a eficiência energética tanto dos edifícios como dos processos industriais.
  • Soluções de cibersegurança adaptadas às novas redes para garantir a sua resistência a possíveis incidentes.
  • Implementação de gémeos digitais, onde graças à realidade aumentada podemos fazer uma cópia virtual exata de algo real. Portanto, algo que está a acontecer na realidade pode ser mostrado num ambiente virtual em tempo real para poder tomar decisões sobre o assunto de uma forma ágil. No setor da energia, esta tecnologia já é utilizada para experimentar e simular diferentes comportamentos numa central elétrica, a fim de gerir processos de forma mais eficiente e poupar custos.
  • Utilização de blockchain para registar transações e contratos relacionados com a energia de uma forma mais transparente e distribuída.
  • Aplicação de Inteligência Artificial e algoritmos de Machine Learning para a otimização das redes elétricas e Smart Grids, entre outros objetivos para equilibrar eficazmente o consumo e a produção em energias renováveis.
  • Utilização de ferramentas de Business Intelligence e Analytics para ajudar a monitorizar e compreender a grande quantidade de dados obtidos, identificar padrões e criar soluções valiosas que otimizem os processos.

Finalmente, e como já demonstrámos, é importante salientar que o cenário que enfrentamos a curto e médio prazo, graças ao novo modelo energético, está cheio de grandes desafios e oportunidades onde a inovação e as tecnologias da informação têm um papel fundamental a desempenhar na resolução de novas necessidades e casos de utilização que, por sua vez, nos permitem melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Na BABEL não queríamos perder este comboio, uma vez que, graças à nossa experiência e conhecimento da tecnologia e do setor, juntamente com o nosso empenho na inovação, levou-nos a liderar a implementação de muitos projetos e iniciativas que irão ajudar a mudar o atual modelo de funcionamento das empresas, organizações, cidades e da nossa sociedade em geral.
Martín   López Lozano
Martín López Lozano Perfil en Linkedin

Ingeniero de Telecomunicaciones por la Universidad de Sevilla y MBA en Administración y Dirección de Empresas. Experiencia profesional de más de 15 años en el sector TIC ayudando a empresas públicas y privadas en sus procesos de transformación digital. Actualmente ocupo el rol de gerente responsable de grandes cuentas en BABEL, poniendo el foco en negocio, producción y personas.

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